quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

POESIA TREKKING: O "EU" CAMINHANTE


Foto: Petrus Trekking (Estrada que leva a trilha do Regalo em Ipu)

O “eu” caminhante...

Às vezes tenho vontade de sumir
De percorrer caminhos inóspitos...
Assim,poder sentir o brilho do sol mais intenso

Olhar o azul do céu por sobre as montanhas
Deixar o vento secar minhas lágrimas
E varrer da lembrança os sonhos perdidos

Às vezes tenho vontade de gritar bem alto
Dizer a todos o que vi na estrada
O que sinto ao tocar o chão...

Não quero falar somente das pedras
Das noites frias em silêncio
Das ilusões dos homens em prece
Insinuosas trilhas do destino...

Não, eu vou seguir sozinho
A luz que traz o eu caminhante
Andarilho de mim mesmo...

Quero aprender com o mundo
O que não me ensinaram
Sentir meus próprios passos
Olhar adiante e seguir sorrindo.

22/01/2011
Petrônio Lima (Petrus Trekking)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

MARIGHELLA: O MULATO REVOLUCIONÁRIO


Entre o "fuzil" e sua grande paixão pelos estudos e a poesia

Você que nunca ouviu falar no líder guerrilheiro "Carlos Marighella" vai agora conhecer um pouco de sua história e certamente nunca mais esquecerá o seu nome. Um simples mulato baiano que fez tremer de medo os generais da Ditadura Civil Militar no Brasil entre os anos de 1964 até 1969. Filho de uma negra baiana com um anarquista italiano, herdou o amor pela liberdade e democracia. Um verdadeiro exemplo de luta pelo o povo brasileiro. Foi político e militante fundador da ALN, assassinado durante o golpe de estado do governo militar brasileiro, que manteve o poder entre 1964 e 1985. Vejamos então o depoimento de seu filho Carlos A. Marighella. O vídeo relata o momento mais obscuro da história nacional, gravado para a novela Amor e Revolução do SBT.



UM POUCO DE SUA HISTÓRIA

Entre os revolucionários que integraram a resistência armada à ditadura instalada no Brasil com o golpe militar de abril de 1964, Marighella foi reconhecidamente uma das lideranças mais destacadas.

A quatro de novembro de 1969, em uma emboscada preparada pelo facínora delegado Sergio Fleury em São Paulo, Carlos Marighella foi friamente assassinado. Este fato, negado insistentemente pelas autoridades policiais e militares, foi finalmente reconhecido pela Comissão especial de Mortos e Desaparecidos do Ministério da Justiça, em 11 de setembro de 1996.

Carlos Marighella era o comandante da resistência armada à ditadura militar mais procurado pelos órgãos de repressão naquele momento. Incansável lutador, não dava trégua ao regime, desmascarando-o a todo instante.

Experiente dirigente comunista, começou a militar no PCB aos 18 anos na Bahia. Sua atividade sempre foi caracterizada por uma grande capacidade política (foi membro da Comissão Executiva do PCB desde 1952), por seu entusiasmo e combatividade. Foi preso várias vezes, sofrendo bárbaras torturas, como em 1939, em São Paulo, quando seus pés foram queimados com maçarico sem, no entanto, fornecer qualquer informação aos torturadores da repressão política. Em 1945 foi libertado com a anistia; em 1946 eleito deputado constituinte, cassado em 1947 com a ilegalidade do PCB. Em 1948, com a repressão instaurada pelo governo Dutra, passou à clandestinidade, na qual ficaria até seu assassinato em 1969.

Em maio de 1964 foi preso dentro de um cinema na Tijuca (Rio de Janeiro) mas, sempre resistindo, denuncia a ditadura, dá vivas à democracia e ao Partido Comunista, quando foi atingido por uma bala no peito. O episódio foi descrito em seu livro “Por que resisti à prisão”.

“Minha força vinha mesmo era da convicção política, da certeza (...) de que a liberdade não se defende senão resistindo”.

Essa sua postura ideológica de enfrentamento teve efeitos importantes na luta interna em curso dentro do PCB. De 1964 a 1967, suas divergências com o partido aumentaram e culminaram com o rompimento.
Em 1967 cria a Ação Libertadora Nacional (ALN), organizando a resistência armada à ditadura. Em fevereiro de 1968, foi divulgado o Pronunciamento do Agrupamento Comunista de São Paulo que expôs os motivos da cisão e que resultou na formação da ALN; e já naquele ano começaram as primeiras ações armadas da organização.

Em setembro de 1969, poucos dias após uma junta militar impedir a posse do vice-presidente Pedro Aleixo e assumir o poder (o golpe dentro do golpe), a ALN e o MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro) realizam o seqüestro do embaixador americano Charles Elbrick, que possibilitou a libertação de vários presos políticos e a denúncia da ditadura em manifesto divulgado pelos meios de comunicação, inclusive a televisão.

O exemplo de Marighella, independentemente de avaliações das posições e práticas políticas que defendeu, empolgou jovens e velhos revolucionários, e foi sem dúvida uma das maiores expressões da luta contra o regime militar. Foi declarado inimigo número um pela ditadura, que contra ele desencadeou uma caçada implacável que culminou na emboscada na alameda Casa Branca (São Paulo) quando foi assassinado, em 4 de novembro de 1969.

O POETA DA LIBERDADE

Carlos Marighella, herói do povo brasileiro, demonstrou sua paixão pela vida, pela justiça e pela liberdade também por meio de poemas. Aliás, sua primeira prisão se deu por conta de um poema em que criticou o interventor Juraci Magalhães na Bahia. Marighella escrevia poesias desde os bancos da escola, onde surpreendeu professores ao fazer uma prova de Física em versos. Escreveu poemas revolucionários, evocativos e líricos, como classifica Clóvis Moura, para quem, “o saldo de seus versos – sem entrarmos em considerações de avaliação de crítica literária – é revelador de uma personalidade desafiadora em todos os ramos da atividade, de uma instigante figura de homem que, pela sua natureza desafiadora deu a sua vida como último poema que escreveu em defesa da dignidade humana: um legado de beleza heróica”.


LIBERDADE

Não ficarei tão só no campo da arte,
e, ânimo firme, sobranceiro e forte,
tudo farei por ti para exaltar-te,
serenamente, alheio à própria sorte.
Para que eu possa um dia contemplar-te
dominadora, em férvido transporte,
direi que és bela e pura em toda parte,
por maior risco em que essa audácia importe.
Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma,
que não exista força humana alguma
que esta paixão embriagadora dome.
E que eu por ti, se torturado for,
possa feliz, indiferente à dor,
morrer sorrindo a murmurar teu nome”

São Paulo, Presídio Especial, 1939.

Fonte:Reproduzido dos Boletins do CeCAC de novembro de 1996 e novembro de 1997.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

PROJETO DE LEI QUE PUNE A VIOLÊNCIA CONTRA O PROFESSOR


A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 267/11, da deputada Cida Borghetti (PP-PR), que estabelece punições para estudantes que desrespeitarem professores ou violarem regras éticas e de comportamento de instituições de ensino. Em caso de descumprimento, o estudante infrator ficará sujeito a suspensão e, na hipótese de reincidência grave, encaminhamento à autoridade judiciária competente. A proposta muda o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90) para incluir o respeito aos códigos de ética e de conduta como responsabilidade e dever da criança e do adolescente na condição de estudante.

Fonte: Sobral de Prima

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Do Muito e do Pouco (Oswaldo Montenegro / Zé Ramalho)

Grande Oswaldo Montenegro e Zé Ramalho leva a gente a refletir sobre a vaidade e a mediocridade humana.É um tapa na cara dos "políticos" e falsos administradores do nosso Brasil. Leia e comente a letra abaixo...Fique a vontade, o espaço é seu!!!



Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois
Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois

É muito quadro pr'uma parede
É muita tinta pr'um só pincel
É pouca água pra muita sede
Muita cabeça pr'um só chapéu

Muita cachaça pra pouco leite
Muito deleite pra pouca dor
É muito feio pra ser enfeite
Muito defeito pra ser amor

É muita rede pra pouco peixe
Muito veneno pra se matar
Muitos pedidos pra que se deixe
Muitos humanos a proliferar

Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois
Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois

É muito quadro pr'uma parede
É muita tinta pr'um só pincel
É pouca água pra muita sede
Muita cabeça pr'um só chapéu

Muita cachaça pra pouco leite
Muito deleite pra pouca dor
É muito feio pra ser enfeite
Muito defeito pra ser amor

É muita rede pra pouco peixe
Muito veneno pra se matar
Muitos pedidos pra que se deixe
Muitos humanos a proliferar

Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois
Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Como ajustar a mochila para Trekking

Olá pessoal!...O nosso Blog tem a honra de trazer algumas dicas interessantes do recém criado clube de aventuras "Calangos Trekking" de Ipu. Trata-se de um vídeo que mostra como ajustar a mochila adequada para a prática da caminhada de média e longa distância ou em montanhas.



OUTRAS DICAS NA ESCOLHA DA MOCHILA PARA CAMINHADAS

•Uma mochila é como uma peça de vestuário: certifique-se de que não fica muito grande e desajustada em seu corpo
•Uma mochila grande significa, provavelmente, uma carga grande e só pode ser usada por pessoas experientes na prática do Trekking ou caminhadas mais longas. Geralmente são utilizadas somente para quem vai pernoitar por mais de um dia
•As mochilas que abrem como concertinas são mais volumosas e podem colocar o seu corpo numa má posição
•Nas mochilas que não possuem costas rígidas há uma maior concentração da carga no fundo (pense num saco de batatas)
•Não se esqueça que o peso da mochila vazia influencia o peso da mochila cheia
•Escolha alças largas e almofadadas
•Tente encontrar uma mochila com um cinto
•Escolha uma mochila que também tenha uma pega resistente e fácil de agarrar

Utilizar uma mochila:

•As mochilas devem encher-se em altura em vez de em largura
•Encha a mochila começando pelo fundo rígido e pelos objectos maiores e mais pesados, acrescentando depois os mais pequenos e mais leves
•Para pôr a mochila às costas, coloque-a primeiro numa mesa, dobre os joelhos (não a coluna), coloque as alças e mantenha a carga próximo de si
•Uma mochila deve sempre ser usada nas duas alças
•Garanta que as alças ficam bem ajustadas
•Garanta que o cinto está a ser utilizado e que está bem apertado
•A parte rígida da mochila deve senmpre ser usada junto às costas
•O fundo da mochila não deve ultrapassar a cintura
•Desde que não esteja muito pesada, a mochila pode também ser carregada à mão

Nunca:

•Utilize a mochila num só ombro
•Carregue a mochila com material desnecessário
•Apanhe uma mochila rapidamente
•Corra com a mochila às costas
•Puxe a mochila de um amigo, enquanto ele a traz às costas

Fonte> Blog Calangos: Trilhas e Camping de Ipu

sábado, 14 de janeiro de 2012

HISTÓRIA - A ARTE DE INVENTAR O PASSADO


Foto: Alex Régis. Na fotografia o Historiador Durval Muniz

Era de profissão encantador de palavras.
Manoel de Barros1

Durval Muniz de Albuquerque Júnior é de profissão historiador, o que não o impede de ser também um 'encantador' de palavras. História. A arte de inventar o passado, seu último livro, é uma coletânea de artigos sobre teoria da história articulados a partir de uma temática central: as diferentes formas de se pensar e de se escrever a história. Tarefa em geral árdua, ela é aqui tratada de modo rigoroso mas, ao mesmo tempo, sem a severidade de quem apenas quer dar lições. Como Michelet, Durval Muniz em vez de simplesmente redigir, escreve.2 Escrita audaciosa, provocativa, criativa e elegante, não diria, contudo, que ele escreva com uma "linguagem de em dia-de-semana", como suplica um 'famigerado' personagem de Guimarães Rosa.3 Mas que ele nos conduz para o terreno 'nebuloso' e 'temerário' da arte literária, disso, não tenho dúvida. Cuidado, historiadores! Durval Muniz, tal como Foucault, é um desses 'sujeitos' perturbadores da boa ordem científica, desses que se colocam entre o sono dogmático e a vigília epistemológica 'só' para provocar a polêmica.

Prefaciada por um historiador da história, Manoel Salgado Guimarães, que ressalta o papel da obra no conjunto da produção historiográfica brasileira recente e o percurso intelectual do autor, o livro divide-se em três partes: na primeira é discutida a relação entre história e literatura; após, uma seção inteira dedicada à obra de Michel Foucault; e, por fim, uma reunião de artigos variados. Esses textos, quase todos curtos — o que não subtrai sua capacidade argumentativa —, são antecedidos por uma introdução na qual Durval Muniz procura problematizar e inserir no contexto contemporâneo a noção-chave do título — 'invenção': "A História possui objetos e sujeitos porque os fabrica, inventa-os, assim como o rio inventa o seu curso e suas margens ao passar. Mas estes objetos e sujeitos também inventam a história, da mesma forma que as margens constituem parte inseparável do rio, que o inventa", explica-nos ele com auxílio de uma analogia baseada em conto das Primeiras estórias.4

Ainda nessa parte introdutória, o autor debruça-se sobre outros aspectos relacionados à questão, entre os quais a divisão artificial entre a perspectiva cultural e a social. Eu gostaria de chamar atenção, entretanto, para uma outra dimensão que pode passar desapercebida em uma primeira ou rápida leitura: a da 'evidência' da história; 'evidência', palavra mais próxima da retórica e da filosofia que da história. Para Durval Muniz a idéia de que "os fatos se impõem ao historiador como evidência" é uma falácia, na medida em que ele dissimula o trabalho de construção não apenas do documento histórico mas também da própria escrita da história (p.32, 35).

O autor inscreve-se assim em um momento reflexivo que a própria disciplina vem atravessando na última década, como bem demonstra um livro recente de François Hartog, cujo objetivo também é o de questionar a suposta evidência da história.5
Os artigos que compõem a primeira parte podem ser lidos como uma tentativa de fraturar a clássica oposição entre literatura e história. O autor busca dissolver a certeza manifesta do 'evidente' desencontro entre literatos e historiadores: "meu objetivo não será separar a História da Literatura, não será encontrar seus limites e suas fronteiras, mas articulá-las, pensar uma com a outra" (p.44). De Clarice Lispector, passando pela hilária dupla Bouvard e Pécuchet, de Flaubert, pelo sisudo Kafka, chegando ao desconcertante poeta Manoel de Barros, Durval Muniz atinge plenamente seu propósito: ele os articula e os pensa, e de forma extremamente inovadora. Não imaginemos, entretanto, que estejamos diante de um "culto ao texto", isto é, que nada existiria fora dele, que a realidade textual seria a promotora incontestável de toda a revelação e verdade sobre as coisas pretéritas.6 Um estudo sobre os diferentes modos de os historiadores servirem-se da linguagem não significa, necessariamente, a queda em perspectivas negadoras da possibilidade do conhecimento.7'Inventar' e 'imaginar' são verbos que fazem parte das metodologias silenciosas, ou silenciadas, da historiografia: "a interpretação em História é a imaginação de uma intriga, de um enredo para os fragmentos de passado que se têm na mão", todavia, ressalva importante, "isto não significa esquecermos nosso compromisso com a produção metódica de um saber, com o estabelecimento de uma pragmática institucional, que ofereça regras para a produção deste conhecimento, pois não devemos abrir mão também da dimensão científica que o nosso ofício possa ter" (p.63-64). O autor chega mesmo a falar nos limites impostos pelo "nosso arquivo" (o pronome possessivo preserva a primeira parte, enquanto o arquivo preserva a segunda; p.64). Trata-se de uma resposta prévia à provável objeção de um pós-modernismo-relativista do qual devemos manter as crianças afastadas? Talvez. O certo é que Durval Muniz sabe ser doutor quando quer. Mesmo optando em situar sua produção em um discurso sobre a pós-modernidade (sinceramente não sei qual razão o leva para esse debate, ainda um embate de grandes narrativas, que visam mais desqualificar o outro do que contribuir para um entendimento sociocultural do mundo em que vivemos), o autor deixa claro que não rompeu com os princípios da 'operação historiográfica' de um autor que lhe é caro, Michel de Certeau.8

Consagrada aos trabalhos de Foucault, a parte seguinte do livro é composta de seis capítulos. No primeiro desses estudos, o autor nos apresenta um estudo comparativo entre o Menocchio de Ginzburg e o Rivière de Foucault. Através de uma consistente crítica ao historiador italiano, Durval Muniz demonstra como seu personagem "termina se explicando pelo contexto mesmo em toda sua singularidade", enquanto no dossiê organizado por Foucault acerca de Rivière a preocupação não é a de explicar suas palavras e os atos, "mas como estas palavras e estes atos foram silenciados" (p.105). O capítulo seguinte tem por objetivo analisar a obra de Foucault, de certa forma, à luz do próprio Foucault, quer dizer, como suas pesquisas relacionam-se com sua existência, com seus costumes, de onde o autor extrai a idéia nietzschiana de que o pensamento do francês deve ser mais do que discutido, usado. A reflexão seguinte relaciona-se à noção de experiência em Foucault confrontada àquela de Edward Thompson. Para Durval Muniz, enquanto o filósofo evita essencializar as experiências históricas ao negar-lhes um caráter tão-somente fundante, o historiador inglês as limita, em última instância, a serem efeitos fundacionais das classes sociais. Os dois estudos que se seguem procuram analisar, sempre a partir de Foucault, a questão do objeto em história, e a importância do 'jogo' na história (o exemplo explorado pelo autor não podia ser mais apropriado: o futebol) e sua correlata desconsideração pela historiografia como resultado de uma luta de poder.9 Por fim, uma homenagem a Foucault, um homem que "morreu de rir", dele (da doença que o vitimou, por exemplo) e dos outros, sobretudo dos poderes instituídos (p.193).

Destacaria, nos ensaios esparsos, a crítica de Durval Muniz à história oral. A conversão do oral em escrito, que anula significativamente a manifestação gestual e as emoções do ato de fala, a possível interferência do roteiro e, finalmente, a presença mesma do historiador-entrevistador como personagem da entrevista, são algumas da questões levantadas pelo autor, que não chega a investir em respostas mais aprofundadas. Sua relativa desconfiança (pois não há uma desconsideração pelos avanços realizados por inúmeros pesquisadores nesse campo) em relação às possibilidades da história oral, segundo ele "indefinida entre uma técnica, um método, uma postura teórica", leva-o a se perguntar: "terá ela conseguido converter a derrota histórica das oralidades para a escritura?". Não lhe parece: "até porque ela seria um agente infiltrado, que continua em busca dos segredos dos que falam para escrevê-los, tornando-os documentos, inscrevendo-os como monumentos" (p.234). Acredito que mais do que simplesmente provocar os historiadores da história oral, Durval Muniz busque no debate produtivo com esses profissionais respostas às suas inquietações, pois para ele, o que temos no final é "a reafirmação do poder dos que escrevem, dos que dominam a escrita sobre os que falam, os que apenas verbalizam seus conhecimentos, suas experiências. A história é mais um artefato que reafirma a dominação dos que escrevem sobre os que falam" (p.233). Convenhamos, não é todo sujeito com o dom da escrita que reconhece isso...

Finalmente, tentando não deixar passar em branco aquele que, em minha opinião, é o texto mais sensível e poético de Durval Muniz neste livro, sua homenagem a um grande amigo,10 eu me permito uma 'invenção' (como os discursos de Tucídides!), ainda que parcial:

Paris, maio de 1961: "Para falar da loucura seria preciso ter o talento de um poeta", conclui Michel Foucault depois de deslumbrar o júri e a platéia com a brilhante apresentação de seu trabalho. "Mas o senhor o tem", responde Georges Canguilhem. Campinas, abril de 1994: "Para falar da invenção do Nordeste brasileiro seria preciso ter o talento de um poeta", assim Durval Muniz de Albuquerque Júnior poderia ter concluído a exposição inicial de sua tese, e Alcir Lenharo, seu orientador, poderia ter respondido: "Mas o senhor o tem". E quem poderia afirmar o contrário?11

Fonte de pesquisa:(Temístocles Cezar.Pesquisador do CNPq – Depto. de História — Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Av. Bento Gonçalves, Porto Alegre – RS – Brasil. t.cezar@ufrgs.br


NOTAS
1 BARROS, Manoel de. Gramática expositiva do chão. Rio de Janeiro: Record, 2007. p.17. [ Links ]
2 BARTHES, Roland. Le bruissement de la langue. Paris: Seuil, 1984. p.244-245. [ Links ]
3 ROSA, Guimarães. Primeiras estórias. Rio de Janeiro: J. Oympio Ed., 1981. p.11. [ Links ]
4 ALBUQUERQUE Jr., 2007, p.29; ROSA, Guimarães. "A terceira margem do rio", em ROSA, 1981, p.27-32. [ Links ]
5 HARTOG, François. Évidence de l'histoire. Ce que voient les historiens. Paris: Éd. de l'EHESS, 2005. [ Links ]
6 FAYE, Jean Pierre. Théorie du récit, 1972, p.130, [ Links ]citado em HARTOG, François. Le miroir d'Hérodote. Essai sur la représentation de l'autre. Paris: Gallimard, 1991. p.321. [ Links ]
7 É o caso do trabalho de R. Koselleck, assim definido por Hayden White: a "história da historiografia, na visão de Koselleck, é a história da evolução da linguagem dos historiadores". WHITE, H. Foreword. In: KOSELLECK, R. The practice of conceptual history. Stanford: Stanford University Press, 2002. p.XIII. [ Links ]
8 CERTEAU, Michel de. L'écriture de l'histoire. Paris: Gallimard, 1975. p.63-120. [ Links ]
9 "Chega de ensaios racionalistas que, como diria Nietzsche, mal escondem o seu rancor e sua demagogia". CERTEAU, 1975, p.178.
10 "Íntimas histórias: a amizade como método de trabalho historiográfico", ibidem, p.211-217.
11 ERIBON, Didier. Michel Foucault. São Paulo: Companhia das Letras, 1990, p.117; [ Links ]ALBUQUERQUE Jr., Durval Muniz de. A invenção do Nordeste e outras artes. São Paulo: Cortez, 1999. p.9. [ Links ]

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O POETA ALBERTO ATIVISTA - A CAMINHADA


Foto: Alberto Aragão (O poeta Alberto Ativista)

Por mais que a mídia brasileira tente mostrar os "jovens dos guetos" de forma "não preconceituosa" e simplista, ela de fato ainda teima em reproduzir esteriótipos sobre a periferia brasileira como o lugar somente de "marginais", "prostitutas" e "ignorantes". Por outro lado, muitos jovens trabalhadores e inteligentes da periferia utilizam-se da escrita poética como sua verdadeira "arma" de libertação.

É com maior prazer que divulgo nesse Blog o trabalho de meu amigo e conterrâneo Alberto Aragão, o poeta das ruas e da realidade dos guetos do Rio de Janeiro e do nordeste brasileiro. Um cearense que faz da sua caminhada poética um sopro de esperança e conhecimento. Vejamos então os escritos abaixo que o mesmo enviou para o meu email sobre o seu futuro livro: ALBERTO ATIVISTA - A CAMINHADA.

Alberto Ativista está escrevendo seu livro intitulado ALBERTO ATIVISTA
- A CAMINHADA. Com participação de Lucky Poesia Gangster, o livro trará até o público poemas, textos, frases, reflexões... Que farão o leitor refletir sobre variados temas.Uma literatura abrangente e original que saciará o desejo dos leitores
de boa informação, com idéias conceituadas e compromisso em cada
palavra.

Sem maquiagem, e com palavras claras e originais, que retratam o
cotidiano não só brasileiro, mas mundial. Cultura para nós é fôlego de
vida, e não haverá revolução sem arte e participação popular.

A leitura é a ferramenta mais importante para a construção de uma
sociedade igualitária, pois um povo sabio, ciente de seus direitos,
não aceita nenhum tipo de manipulação. A maior arma de um ser humano é
o conhecimento, e sua busca precisa ser constante.

Confiram o video chamada do livro ALBERTO ATIVISTA - A CAMINHADA.

http://www.youtube.com/watch?